Vida Literária por Marcilio Medeiros


REVISTA PREÁ

Revista Preá volta a circular

Fotos Durante almoço na FIERN Gil recebe de Mary Land Brito a nova edição da Revista Préa


No último dia 07 de maio, durante visita do ministro da cultura Gilberto Gil, foi relançada a Revista de Cultura Preá.

A Preá é 100% financiada pelo Governo do Estado e contempla o universo cultural do Rio Grande do Norte. A cidade de Angicos foi escolhida para ser tema da matéria especial desta edição, que conta ainda com entrevista de Sérgio Mamberti, ensaio fotográfico de Andréa Gurgel e galeria com fotos de obras do artista plástico Franklin Serrão.

As novidades da revista ficam por conta do novo projeto gráfico, feito pelo diagramador Paulo Moreira, da Firenzze Design e Comunicação, uma nova editora, a jornalista Mary Land Brito, além da divisão da revista em editorias.

Extraído de: http://www.fja.rn.gov.br/fja_site/navegacao/ver_noticia.asp?idnoticia=82

Foto: Anchieta Xavier

Site da Revista Preá: http://www.fja.rn.gov.br/fja_site/navegacao/revistaprea.asp

Para ver as edições anteriores, acessem: http://www.fja.rn.gov.br/pg_revistaprea.asp



Escrito por marciliomedeiros às 01h11
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Concurso de Poetas Sabugienses 2008

foto: Ramayana Brito

São João do Sabugi

 

 

HOMENAGEM

 

No próximo dia 18 de junho, estarei em São João do Sabugi – RN para aplaudir os participantes do Concurso de Poetas Sabugienses 2008, evento em que serei o escritor homenageado.

 

A indicação partiu de João Quintino de Medeiros Filho, historiador, professor, escritor, jornalista, promotor cultural e homem de sete instrumentos.

 

O topômino Sabugi, segundo registros do meu bisavô Francisco Lins de Medeiros, significa rio das raízes.

 

Foi na região do Seridó, onde o município se localiza, que meus antepassados mais remotos chegaram, durante o período colonial, para garantir a povoação e o efetivo domínio português no semi-árido nordestino. Quase todos os meus antepassados são oriundos daquele pedaço luminoso de terra, com exceção de minha avó e bisavós maternos, nascidos em Taperoá – PB e Pernambuco, respectivamente. Daí, as ligações atávicas e sentimentais que me unem e alimentam do lugar.

 

O sertão é um lugar mítico e singular, com sua riqueza simbólica e cultural de inestimável amplitude e valor. A região está em festa pelas chuvas abundantes deste ano, especialmente São João do Sabugi pelo momento de louvar o seu padroeiro.

 

Poderei agradecer devidamente, na ocasião, a lembrança generosa do meu nome.

 

foto: arquivo de Aninha MedeirosSão João do Sabugi

Para saber mais sobre a cidade, visitem: Sabugi by JQ (http://sabugibyjq.zip.net/) e Á Flor da Terra, da jornalista Anna Jailma (http://aflordaterra.blogspot.com/).



Escrito por marciliomedeiros às 23h40
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UM ESTRANGEIRO

fonte: autoria desconhecida

 

UM ESTRANGEIRO

Marcilio Medeiros

Toda cidade é um mistério e não se confunde com nenhuma outra, por mais próximas geográfica ou historicamente as duas estejam. Cada uma é o empreendimento coletivo, misto, anônimo de milhares de seres que a constroem ininterruptamente, com o conteúdo de suas próprias vidas.

Sua essência está em tudo e em nada especialmente, pois cada parte só tem sentido encravada no todo, no conjunto. É uma obra única, singular, inconsútil, resultado da alquimia de sua presença humana, física, histórica, econômica, cultural, que erige a sua grandeza e sua mesquinhez, reflexos da condição dos homens.

Mesmo para o morador mais atento, ela se mostra um tanto velada, reservada em algo de sua intimidade, de modo que não se mostra por inteiro, até porque só vemos o que os nossos valores, crenças, conceitos, interesses nos permitem enxergar, numa visão redutora. O que não é percebido mostra-se insuspeito, fazendo, no final, tudo parecer habitual, familiar.

Se a cidade tem pudores mesmo para os seus habitantes, imagine o que ela reserva a um estrangeiro! Suponha um que nela chegue, vendo-a à primeira vista. É provável que se depare com um ambiente bastante diferente daquele encontrado em sua terra natal. Previsivelmente, ele se aterá à beleza natural, ao relevo, ao conjunto arquitetônico, com um olhar inusitado. É de supor que teça comparações, considere alguns costumes um tanto exóticos e pitorescos, observe os tipos físicos existentes e a linguagem lhe pareça um som contínuo e indistinto. Esse conjunto de aspectos comporia um panorama particular, único. Tudo isso é permitido e comum a qualquer estrangeiro.

Pensemos, então, em alguém que retorne à cidade em que nasceu, mas da qual partiu pequeno e haja passado muito, muito tempo fora dali. Ele não mais reconhece a fisionomia, o sotaque, o imaginário, o tempero. Confuso, ele espera, no entanto, ser recebido como pela mãe que abraça, com alegria e calor, o filho há tanto distante.

As pessoas parecem arredias, desconfiadas, e você se sente um forasteiro no seu lugar, que talvez nem seja mais seu, e que, por isso, você não tem mais nenhum direito a ele. Você é daqui, mas não é daqui. Você é de lá, mas não é de lá. Talvez não seja mais de lugar algum. Seja apenas um estrangeiro dentro de si mesmo.



Categoria: Fala, poesia!
Escrito por marciliomedeiros às 22h37
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FLIP 2008

 

FLIP 2008

 

Saiu a programação da Feira Literária Internacional de Parati, que ocorrerá no período de 2 a 6 de julho próximo.

Confiram no link: http://www.flip.org.br/programa.php3



Escrito por marciliomedeiros às 22h31
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O L i n k s & S i t e s - seleção dos melhores Sites do Brasil! - incluiu o Vida Literária no seu diretório.

Visitem em: http://www.lksites.com/blog_u_z_02/. Os links encontram-se em ordem alfabética.



Escrito por marciliomedeiros às 01h53
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AVENTURA MARÍTIMA - parte final

Marcilio Medeiros

 

Entre nós, Cecília Meireles, que admirava Fernando Pessoa, utilizou o mar como tema recorrente na sua escritura literária: Em Mar Absoluto, do livro homônimo, ela diz:

 Foi desde sempre o mar.

E multidões passadas me empurravam

como a barco esquecido.

 

Agora recordo que falavam

da revolta dos ventos,

de linhos, de cordas, de ferros,

de sereias dadas à costa.

 

E o rosto dos meus avós caído

pelos mares do Oriente, com seus corais e pérolas,

e pelos mares do Norte, duros de gelo.

 

Então é comigo que falam,

sou eu que devo ir.

Porque não há mais ninguém,

não, não haverá mais ninguém,

tão decidido a amar e a obedecer a seus mortos. (...)

 

E fico tonta,

acordada de repente nas praias tumultuosas.

E apressam-me, e não me deixam sequer mirar a rosa-dos-ventos.

“Para adiante! Pelo mar largo!

Livrando o corpo da lição frágil da areia!

Ao mar! – Disciplina humana para a empresa da vida!  (...)

 

E eu, que viera cautelosa,

por procurar gente passada,

suspeito que me enganei, (...)

e o mar a que me mandam não é apenas este mar.

 

Não é apenas este mar que reboa nas minhas vidraças,

mas outro, que se parece com ele (...)

 

E recordo minha herança de cordas e âncoras,

e encontro tudo sobre-humano.

E este mar visível levanta para mim

uma face espantosa.

 

E retrai-se, ao dizer-me o que preciso.

E é logo uma pequena concha fervilhante,

nódoa líquida e instável,

célula azul sumindo-se

no reino de um outro mar:

ah! do Mar Absoluto.

C. Meireles, a partir dessa alegoria sobre antepassados de além-mar e destino aventureiro, procura um mar e encontra outro, totalizante, holístico, representado pelo infinito. Temos aí um exemplo que, no universo dos poetas, o mar ora aparece como realidade material, ora como abstração poética, já que, como a lua, foi alçado à categoria de fetiche poético por excelência. Outra apaixonada declarada pelo mar chama-se Zila Mamede, um dos maiores nomes da poesia potiguar. Segundo Edson Nery da Fonseca, “em Zila a paixão pelo mar nada tinha de platônica. Ela se lançava às ondas com uma volúpia não apenas de nadadora exímia, mas de verdadeira comunhão panteística”. Deixemos, pois, que Zila, conclua este itinerário líquido, com a sua Canção do Sonho Oceânico:

Empossei-me dos caminhos

convergentes para o mar.

Três dias nasci areias

depois, conchas esquecidas

na memória dos rochedos

que julgavam ser navios

carregados de luar.

Fui areia, agora, búzios

chamando os ventos do mar.

Quando me senti sargaços

pedi às algas tranqüilas

que me emprestassem coroas,

e vestindo lenda e sal

arranjei sete concertos

na paisagem mineral. 

Compus meus olhos marinhos

quando a fuga da maré,

carregando os pensamentos

dos corais e dos recifes,

conduziu-me em sete fontes

dormindo peixes e estrelas

no outro sono do mar.

 

Agora nascida estrela

Algas, recife e coral,

Não me contentam areias

Nem me prende litoral.

Pedindo o vôo das gaivotas

em rumos desconhecidos,

sonhando estradas marinhas

compondo sete oceanos

para neles navegar.

 

Sou como o sal das salinas,

pois fui nascida do mar.



Categoria: Vida Literária
Escrito por marciliomedeiros às 01h37
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AVENTURA MARÍTIMA

 

AVENTURA MARÍTIMA - 1ª parte

 

                                                                   Marcilio Medeiros

 

Navegar é preciso, viver não é preciso. Este refrão entoado pelos desbravadores náuticos de outros tempos, representava, originalmente, a exaltação de sua profissão de fé. Muitos poetas trouxeram a si o legado dessas palavras, recriando-as como metáfora ao ofício do fazer literário, de modo que ecoa continuamente em nosso imaginário, com sua mágica e com sua beleza próprias. Podemos concebê-las, igualmente, como a mais perfeita negação à estática, ao conformismo, à mesmice. Elas alimentam nosso espírito, com seu ímpeto de renovação.

 

Essa paixão pelo mar, partilhada por marujos e poetas, encontra-se historicamente amalgamada no povo português e chegou até nós, herdeiros de sua saga marítima. Aliás, vem de mais longe, do mundo clássico com seu legado grandioso de narrativas épicas:

 

Musa, fala-me do herói dos mil estratagemas, que tanto errou depois de a sua astúcia ter feito saquear a acrópole sagrada de Tróade (...) Quão grandes tormentos o seu coração padeceu por sobre o mar, quando ele lutava pela sua vida e pelo regresso dos seus companheiros! (...) Conta-nos a nós também estas aventuras, deusa nascida de Zeus, começando por onde te aprouver.

 

                                                                                        Homero in Odisséia

 

Ou na vertente lírica da poesia clássica, aqui representada por Safo de Lesbos:

 

bela de sonho vem, Hera adorada,

te imploro, seja a minha prece o ímã

que foi a dos Atridas         grandes

príncipes guerreiros

 

de Ílium saqueada, araram mares

sangrando espuma em busca desta ilha,

mas a gula do sal saciariam

se por pavor da morte

 

O herói mencionado acima por Homero é Ulisses, de quem Fernando Pessoa toma o nome para um de seus poemas no livro Mensagem, cujo fragmento citamos:

 

O mito é o nada que é tudo.

 

Pessoa foi pródigo em trazer o mar para o território da poesia, com sua gama de símbolos multiformes, em que se incluem âncoras, cordas, bússolas, marinheiros. No livro Mensagem, retiramos trechos do poema D. Dinis:

 

Na noite escreve um seu Cantar de Amigo

O plantador de naus a haver

(...)

 

Arroio, esse cantar, jovem e puro,

Busca o oceano por achar;

(...)

É o som presente desse mar futuro,

É a voz da terra ansiando pelo mar.

 

Ou nesse outro, Mar Português:

 

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!



Categoria: Vida Literária
Escrito por marciliomedeiros às 01h29
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