Vida Literária por Marcilio Medeiros


NEI LEANDRO DE CASTRO

Fonte: www.poetasdelmundo.com

 

NEI LEANDRO DE CASTRO RELANÇA O DIA DAS MOSCAS

 

O Dia das Moscas, primeiro romance de Nei Leandro de Castro, será relançado na próxima segunda-feira, às 18 horas, dentro da programação do II Festival Literário de Natal, que vai até 08 de agosto, no Natal Shopping.

 

O livro é da década de 80, quando o escritor, que morava no Rio de Janeiro, atuava como publicitário e escrevia para o Pasquim, resolveu largar tudo e voltar a Natal para escrever o romance, retornando ao Rio em seguida.

 

A nova edição é do Selo Jovens Escribas, iniciativa de um grupo de jovens escritores potiguares, que tem agitado a vida literária do estado.

 

Castro é autor também de As Pelejas de Ojuara, sua obra mais conhecida e que chegou ao cinema com o nome de O Homem que Desafiou o Diabo, filme do também potiguar Moacyr Góes.

 

Desde 2005, o escritor está residindo em Natal e concluiu recentemente o romance político A Fortaleza dos Vencidos.

 

Conheci os poemas eróticos de Nei Leandro, que assinava Neil de Castro, por volta de 1983. Gostei de imediato.

 

O curioso é que tenho, dos livros deixados pelo meu pai, a coletânea Contistas Norte-Rio-Grandenses, organizada por Nei e editada em 1966. Nessa época, morávamos ainda em Caicó, que também é a terra natal do escritor.

 

Neste volume, estão Aluísio Furtado, Fagundes de Meneses, Homero Homem, Renard Perez, Tarcísio Gurgel, entre outros. Na capa, há um desenho de Newton Navarro.

 

Quem sabe da próxima vez que eu estiver em Natal uma alma boa resolva nos apresentar.



Escrito por marciliomedeiros às 20h37
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PASSADO, TEMPO...

PASSADO, TEMPO...

 

fonte: Wikipedia - Licença Creative Commoms

 

A persistência da memória (1931). Salvador Dali.

The Museum of Modern Art, New York

 

 

O TEMPO NO JARDIM

 

Cecília Meireles

 

Nestes jardins - há vinte anos - andaram os nossos muitos passos, 
e aqueles que então éramos se contemplaram nestes lagos.

Se algum de nós avistasse o que seríamos com o tempo, 
todos nós choraríamos, de mútua pena e susto imenso.

E assim nos separamos, suspirando dias futuros, 
e nenhum se atrevia a desvelar seus próprios mundos.

E agora que separados vivemos o que foi vivido, 
com doce amor choramos quem fomos nesse tempo antigo.


Fonte: http://darwinn.blogspot.com/

 

 

Criança geopolítica assistindo ao nascimento do novo homem (1943). Salvador Dali.

Reynolds - Morse Collection, Clevlend, Ohio

 

CAVALGADA

 

Cecília Meireles

 

Escuta o galope certeiro dos dias

saltando as roxas barreiras da aurora.

 

Já passaram azuis e brancos:

cinzentos, negros, dourados passaram.

 

Nós, entretidos pela terra,

não levantamos quase nunca os olhos. 

 

E eles iam de estrela a estrela,

asas, crinas e caudas agitando.

 

Todos belos, e alguns sinistros,

com centelhas de sangue pelos cascos.

 

Se alguém lhes suplicasse: “Parem!”

- não parariam – que invisível látego

 

ao flanco impôs-lhes ritmo certo.

Se por acaso alguém dissesse: “Voem!

 

Mais depressa e para mais longe!”

– veria o que é, no céu, a voz humana...

 

Escuta o galope sem pausa

da cavalgada que vai para oeste.

 

Não suspires pelo que existe

nesses caminhos do sol e da lua.

 

Semeia, colhe, perde, canta,

que a cavalgada leva seu destino.

 

Ferraduras ígneas virão

procurar onde estás, na hora que é tua.

 

Entre essas patas de aço e nuvem,

estão presos teus campos e teus mares.

 

Irás ao céu num selim de ouro,

sem saberes quem pôs teu pé no estribo.

 

Rodarás entre a poeira e Sírius,

com esses ginetes sem voz e sem sono,

 

até vir o mais poderoso

que esmague a rosa guardada em teu peito.

 

Depois, continuarão saltando, mas tão longe

que não perturbarão tuas pálpebras soterradas.

 

* Os dois poemas de Cecilia Meireles são do livro Mar Absoluto, edição de 1975.



Escrito por marciliomedeiros às 23h55
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SAUDADES MUITAS II

SAUDADES MUITAS II

 

Dando prosseguindo a série Muitas Saudades, o Vida Literária orgulhosamente apresenta Valsa da Solidão, composição de Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, na belíssima voz dessa potiguar chamada Roberta Sá.

  

Fonte: Youtube

 

 

 

Valsa da Solidão

 

Onde estava tanta estrela

que eu não via?

Onde estavam os meus olhos

que não te encontravam?

Onde foi que pisei e não senti

o ruído de teus passos

em meu caminho?

Onde foi que vivi

se nem me lembro se existi

antes de você?

Ah, foi você quem trouxe

essa tarde fria

e essa estrela pousada em meu peito

Ah, foi você quem trouxe

todo esse vazio

e toda essa saudade

toda essa vontade

de morrer de amor.



Escrito por marciliomedeiros às 19h48
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SAUDADES MUITAS

SAUDADES MUITAS

  

 Cerca de pedra em São João do Sabugi - RN

 

Há muitas saudades povoando os dias, saudades, às vezes, não sei bem de quê.

 

Uma imagem muito viva que me vem à mente quando penso no sertão são as cercas de pedra, que, infelizmente, estão desaparecendo, substituídas por outras formas de delimitação de terrenos.

 

Li, um dia desses, que o saber necessário a este tipo de obra não está sendo repassado às novas gerações. Assim, está morrendo junto com os seus últimos detentores.

 

Lembrei-me, então, de um livro que restou da biblioteca de meu pai. Trata-se de Cerca de Pedra, da poeta Hilda Araújo, em uma edição de exatos quarenta anos atrás, publicada pela Fundação José Augusto.

 

Eis o poema que abre o livro e traduz a dualidade que envolve o momento atual:

 

 

CERCA DE PEDRA

 

Senhor,

como se ajustam elas

- as pedras –

 

formando muralhas

longas,

sem fim.

 

Suportando-se umas às outras.

Agüentando-se umas sobre

as outras.

 

Mudas.

Sem uma queixa,

sem um reclamo.

Senhor,

faça-nos como as pedras

da cerca,

ao menos.

 

Duras,

imutáveis,

pedras.

 

Mas

justas,

unidas,

pelo menos

suportáveis.

 

O ser pedra não importa.

O que importa

acima de tudo, o que importa:

ajustar-se à cerca.

 

 

 

Pelas informações que pude encontrar, Hilda Araújo nasceu em 1923, na cidade de Caicó, RN. Foi poeta e professora.

 

Irmã de Monsenhor Antenor Salvino de Araújo, pároco emérito de Sant’Ana, estudou no Grupo Escolar Senador Guerra, no Educandário Santa Teresinha e no Rio de Janeiro. Foi no colégio Santa Teresinha, através de seu professor de literatura, Monsenhor Walfredo Gurgel, que ela passou a se dedicar à arte literária.

 

Em sessão de 25 de março deste ano, a Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte denominou "Anfiteatro Poetisa Hilda Araújo", o espaço situado no Complexo Turístico da Ilha de Sant'Ana, pertencente ao Governo do Estado

 

Consta que, embora só tenha um livro publicado, a poeta possui vários cadernos de poesias inéditos.

 

Segundo notícia de 02.04.2008, Hilda continua residindo em Caicó.

 

 

Fontes:

http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/Consulta/Autor_nav.php?autor=8040, a partir de COUTINHO, Afrânio; SOUSA, J. Galante de. Enciclopédia de literatura brasileira. São Paulo: Global; Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Academia Brasileira de Letras, 2001: 2v.

 

Boletim Oficial 2427, Ano XIX, Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Norte. Natal, 02.04.2008, quarta-feira.

 

NOTA: a bela foto da cerca de pedra reproduzida aqui foi encontrada no fotolog de Itamar Bezerra (http://www.sabugi.hyperfotos.com.br/). A foto foi tirada na Semana Santa de 2006. Não está claro, no entanto, de quem é a autoria.



Escrito por marciliomedeiros às 23h52
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PRÊMIOS LITERÁRIOS

Prêmios literários

 

Premio Hispanoamericano de Poesía para Niños 2008
Período de inscrição: até 31 de julho
Aberto a: escritores de qualquer nacionalidade que desejem participar com um livro de poesias em espanhol destinados a crianças.
Valor da premiação: 200 mil pesos
Mais informações  

Concurso Sílvio Romero de monografias sobre cultura popular
Período de inscrições: até 31 de julho
Aberto a: monografias inéditas sobre temas da cultura popular e do folclore brasileiros (religião e sistemas de crenças em geral, rituais, cultura material, música, literatura oral, estudos sobre a disciplina folclore, entre outros).
Premiação: de R$ 10 mil e R$ 7 mil
Mais informações 

Prêmio Nacional de Educação em Direitos Humanos (PNEDH)
Período de inscrições: 4 de agosto a 6 de outubro
Aberto a: instituições públicas e privadas de educação básica e superior e secretarias estaduais e municipais de educação
Premiação: R$ 15 mil ao vencedor de cada categoria e R$ 5 mil ao segundo lugar.
Mais informações  

Prêmio Sesc de literatura
Período de inscrições: até 15 de agosto
Aberto a: textos inéditos, escritos em língua portuguesa, de autoria de brasileiros ou estrangeiros residentes no país.
Premiação: publicação das obras vencedoras pela Editora Record. O autor terá direito a 10% do valor de capa da obra na comercialização em livrarias.
Mais informações   

Concurso Internacional de Monografias sobre a Obra de Graciliano Ramos
Período de inscrições: 30 de agosto de 2008
Aberto a: cidadãos brasileiros ou estrangeiros que exerçam atividades relacionadas ao estudo da língua portuguesa e da cultura brasileira, que residam no exterior.
Premiação: US$ 20 mil, US$ 15 mil, US$ 10 mil, US$ 5 mil e US$ 3 mil, respectivamente, para o primeiro, segundo, terceiro, quarto e quinto colocados.
Mais informações 

Prêmio Afrânio Coutinho 2008
Período de inscrições: até 29 de setembro
Aberto a: universitários, jornalistas, professores da área de ciências humanas e pesquisadores
Premiação: R$ 10 mil, R$ 6 mil e R$ 3 mil respectivamente para o primeiro, segundo e terceiro colocado.
Mais informações  

Concurso Literário de Crônicas Astra
Período de inscrições: até 22 de agosto
Aberto a: qualquer brasileiro acima de 21 anos
Premiação: R$ 5 mil (1º lugar), R$ 3 mil (2º lugar), R$ 1 mil (3º lugar) e R$ 500 (4º lugar). Os cinco primeiros colocados ganharão um laptop e uma impressora.
Mais informações

 

EXTRAÍDO DE: Boletim PNLL - boletim@pnll.gov.br



Escrito por marciliomedeiros às 00h56
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NOTÍCIAS, FEIRAS

NOTÍCIAS, FEIRAS

 

Cópia e distribuição ilegal atingem livros brasileiros através da Internet

Editoras brasileiras estão buscando combater a pirataria de livros texto na Web. De acordo com o jornal O Globo, o número de estudantes que se utilizam desse meio para adquirir títulos é cada vez maior. Um só site, por exemplo, oferece cerca de cinco mil títulos escaneados, em alta qualidade, de originais para quem fizer o registro com qualquer webmail válido. O download é feito por meio do protocolo BitTorrent de forma gratuita. Recentemente, a Câmara Colombiana do Livro fez uma blitz combatendo livros piratas nas ruas de Bogotá, conseguindo apreender cerca de 16 mil livros que geraram a perda de 480 milhões de pesos.

Direito Autoral é foco de ações do Ministério da Cultura

Com o objetivo de estimular o debate com a sociedade sobre a revisão na Lei de Direitos Autorais brasileira, o Ministério da Cultura vai realizar uma série de seminários e oficinas a partir do mês de julho de 2008, em várias capitais do país. Parte integrante do Fórum Nacional de Direito Autoral, que foi lançado em 2007, o primeiro seminário, nos dias 30 e 31 de julho, debaterá A Defesa do Direito Autoral: Gestão Coletiva e o Papel do Estado e contará com a presença do ministro Gilberto Gil. Apesar de estar com as inscrições encerradas, quem desejar assistir ao evento em tempo real poderá acessar o site do MinC e acessar o link Direito Autoral.

Haddad confirma implantação do acordo ortográfico para 2011

Em Lisboa, onde participa da 7ª Conferência de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que acordo ortográfico da língua portuguesa deverá estar implantado no Brasil até 2011. Para Haddad “a grande mudança a partir da unificação do português será política, em relação ao papel que a língua portuguesa tem no mundo”, informa reportagem da BBC. Outra ação relacionada à cooperação com os demais países de língua portuguesa é “a criação da Universidade Luso-Afro-Brasileira, que deve ter sua sede em Redenção, no Ceará”.

Editoras brasileiras no mercado internacional

Convênio assinado entre a Apex-Brasil e a Câmara Brasileira do Livro tem como objetivo difundir os livros produzidos no Brasil no mercado internacional, proporcionando a visita de editoras brasileiras para o mercado do exterior e convidando empresários estrangeiros para conhecer o país, além de outras ações como vendas de direitos autorais e programas de incentivo às exportações. Recentemente, foi divulgado que o mercado editorial nacional faturou R$ 14,4 milhões com a venda de direitos autorais no exterior em 2006. De acordo com o Valor Econômico (link restrito a assinantes), “a exportação de direitos autorais de obras brasileiras continua crescendo e o livro infantil, em especial, atrai interesse dos estrangeiros”.

 

Circuito de feiras

 

Nacionais

3ª Feira do Livro Cultural de Taquara (RS)
6 a 9 de agosto
Mais informações 

Feira Internacional do Livro de Foz do Iguaçu (PR)
5 a 10 de agosto
Informações:
feiradolivro@institutofeiradolivro.com.br  

Bienal Internacional do Livro de São Paulo (SP)
14 a 24 de agosto
Mais informações   

Feira do Livro de Brasília
29 de agosto a 7 de setembro
Mais informações   

XII Feira Pan-Amazônica do Livro
19 a 28 de setembro
Mais informações     

3º Salão do Livro de Ipatinga
31 de setembro a 5 de outubro 

Feira do Livro da Baixada Santista
8 a 12 de outubro
Mais informações  

2ª Salão do Livro de São Luís
9 a 19 de outubro
Mais informações

 

Internacionais

Festival Internacional do Livro de Edinburgo (Escócia)
9 a 25 de agosto
Mais informações   

Feira Internacional do Livro de El Salvador
29 de agosto a 7 de setembro
Mais informações:
camsalibro@integra.com.sv
 
Beijing International Book Fair (China)
1º a 4 de setembro

Mais informações   

Feira Internacional do Livro de Moscou
3 a 8 de setembro
Mais informações   

Göteborg International Book Fair (Suécia)
25 a 28 de setembro
Mais informações   

Feira do Livro de Frankfurt
15 a 19 de Outubro
Mais informações  

LIBER - Feira Internacional do Livro (Barcelona)
8 a 10 de outubro
Mais informações

EXTRAÍDO DE: Boletim PNLL - boletim@pnll.gov.br



Escrito por marciliomedeiros às 23h10
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BRUNO GROSSI

BRUNO GROSSI

 

 

Nasceu em Belo Horizonte – MG e é escritor, pintor e ilustrador. Em 2007, lançou seu primeiro livro de poemas, O Grão Imastigável.

 

Além disso, Bruno edita a Nota Independente - revista de cultura.

 

 

 

Dom Quixote, de Bruno Grossi
1m x 080m
Acrilica e carvao sobre cartão

 

 

O ecoar da noite 

 

                Bruno Grossi

 

O ecoar da noite,

A destreza do olhar,

As mãos cálidas sobre a mesa

e um ladino pensar.

O vilipendiado amor,

Um varão massacrado,

Enveredando ao inconsciente

Pela vontade imprópria.

A vela, o fogo,

O mórbido calejar

das almas que

não param de chorar.

 

 

Para ver mais do trabalho de Bruno, acesse:

 

Ilustração: www.ilustradorbrunogrossi.blogspot.com

Literatura e Arte: www.aliviodaalma.blogspot.com
Revista Cultural: www.notaindependente.com.br

 

 

* Trabalhos enviados pelo autor. Todos os direitos reservados.



Escrito por marciliomedeiros às 23h10
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MAIS PUBLICAÇÕES

fonte: exorcismoaosilencio.blogspot.com/

 

PUBLICAÇÕES EM PORTUGAL, ESPANHA, CHILE E PERU

 

Tivemos trabalhos incluídos em algumas páginas.

 

O texto Pedro Militão e a Memória das Sesmarias no Rio Grande do Norte, que trata do trabalho de presevação das cartas de sesmarias feita, na década de 1920, pelo meu avô Pedro Militão Soares de Lucena, foi reproduzido, no dia 23/07/08, no boletim de notícias do Portal Poetas del Mundo, que se propaga do Chile  (http://www.poetasdelmundo.com/noticias.asp).

 

Esse mesmo material foi inserido, no dia 25/07/08, em blogues da Espanha (http://www.raultristan.com/2008/07/25/a-cent-ans-de-sa-naissance-poetes-du-monde-rendent-hommage-a-salvador-allende/) e do Peru (http://socialismoperuanoamauta.blogspot.com/).

 

Um nova amiga portuguesa publicou hoje o poema Memória, escrito quanto estive em Portugal, na página http://intemporal-pippas.blogspot.com/, em que há muitas reproduções de belíssimos quadros. Vale a pena a visita.



Escrito por marciliomedeiros às 20h46
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SANTO

fonte: conversamuitaconversa.blogspot.com

 

SANTO

 

Marcilio Medeiros

 

A serenidade tornou-lhe

desnecessário o rosto

e o diverso ornamento com que

o gozo e a agonia o distinguiam.

 

Perdeu-se a face

dentro do escrínio olvidado.

 

Os fiéis prosternam-se

a seus pés

confessando-se compulsivos.

Reconhece ele todos os pecados.

 

 

Nota: Não há referência a quem seja o autor da gravura



Categoria: Fala, poesia!
Escrito por marciliomedeiros às 19h21
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POEMAS PUBLICADAS NA GERMINA

 

POEMAS PUBLICADOS NA GERMINA

 

A Germina, revista de literatura e arte, publicou poemas meus na sua edição deste mês.

 

O endereço é http://www.germinaliteratura.com.br/2008/marcilio_medeiros.htm.

 

Recebi a notícia das editoras, Mariza Lourenço & Silvana Guimarães. Elas informam, ainda, que estão entrando de férias.

 

Bom descanso e diversão, meninas. Beijos!



Escrito por marciliomedeiros às 18h44
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INTERSEÇÕES

FERNANDO PESSOA

 

 

 

Fonte: Wikipedia - Licença Creative Commoms

 

Retrato de Fernando Pessoa, feito por João Luiz Roth

 

 

NA NOITE TERRIVEL

 

 Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

 

Na noite terrível, substância natural de todas as noites, 

Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites, 

Relembro, velando em modorra incômoda, 

Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida. 

Relembro, e uma angústia 

Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo. 

O irreparável do meu passado — esse é que é o cadáver! 

Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão. 

Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte. 

Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures, 

Na ilusão do espaço e do tempo, 

Na falsidade do decorrer. 

Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei; 

O que só agora vejo que deveria ter feito, 

O que só agora claramente vejo que deveria ter sido — 

Isso é que é morto para além de todos os Deuses, 

Isso — e foi afinal o melhor de mim — é que nem os Deuses fazem viver... 

 

Se em certa altura 

Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita; 

Se em certo momento 

Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim; 

Se em certa conversa 

Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro — 

Se tudo isso tivesse sido assim, 

Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro 

Seria insensivelmente levado a ser outro também. 

 

Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido, 

Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo; 

Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse; 

Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas, 

Claras, inevitáveis, naturais, 

A conversa fechada concludentemente, 

A matéria toda resolvida... 

Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói. 

 

O que falhei deveras não tem esperança nenhuma 

Em sistema metafísico nenhum. 

Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei, 

Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar? 

Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver. 

Enterro-o no meu coração para sempre, para todo o tempo, para todos os universos, 

 

Nesta noite em que não durmo, e o sossego me cerca 

Como uma verdade de que não partilho, 

E lá fora o luar, como a esperança que não tenho, é invisível p'ra mim.

 

Fernando Pessoa (Lisboa, 13 de Junho de 1888 — Lisboa, 30 de Novembro de 1935) é considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa e o seu valor é comparado ao de Camões. Um curiosidade de sua obra é que o autor se desdobrou em várias outras personalidades poéticas, conhecidas como heterônimos (Fonte: Wikipedia - Licença Creative Commoms).



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 00h46
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