Vida Literária por Marcilio Medeiros


PETER BLUME

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 The Rock, de Peter Blume



Escrito por marciliomedeiros às 12h00
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RAINER MARIA RILKE

 

A PANTERA

 

Rainer Maria Rilke

 

De percorrer as grades o seu olhar cansou-se

e não retém mais nada lá no fundo,

como se a jaula de mil barras fosse

e além das barras não houvesse mundo.

 

O andar elástico dos passos fortes dentro

da ínfima espiral assim traçada

é uma dança da força em torno ao centro

de uma grande vontade atordoada.

 

Mas por vezes a cortina da pupila

ergue-se sem ruído - e uma imagem então

vai pelos membros em tensão tranquila

até desvanecer no coração.

 

Tradução de Vasco Graça Moura



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 11h55
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ASSIS MARINHO

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Brincadeiras, de Assis Marinho



Escrito por marciliomedeiros às 21h11
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MARCILIO MEDEIROS

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Satã observando o amor de Adão e Eva, de William Blake

 

INOCÊNCIA

 

                A William Blake

 

ramos de abril

que se abrem

vos esperam

o mesmo vil abecedário

 

e os corvos postados

às portas fechadas

vos ensinam a pôr noite

na faminta claridade

 

é água turva

o que vos trazem

para que jaza

vosso esguicho

 

à curva suave

da boca das flores

ao nicho velado

de túmidas corolas

 

para apartar

vosso guincho de gozo

o relincho indomado

da desperta cavidade



Categoria: Fala, poesia!
Escrito por marciliomedeiros às 15h31
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TARSILA DO AMARAL

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 Auto-retrato (1923), de Tarsila do Amaral

 

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O vendedor, de Tarsila do Amaral



Escrito por marciliomedeiros às 22h08
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NOTAS

Biblioteca chinesa em São Paulo

Foi inaugurado, na última quarta-feira, dia 26, o Instituto Confúcio na Unesp. Resultado de uma parceria entre a Unesp e a Universidade de Hubei, com a chancela do governo chinês, o projeto vai possibilitar novas formas de cooperação acadêmica e científica entre os dois países, como o ensino do idioma mandarim e da cultura chinesa. Entre as atividades previstas, está a instalação de uma biblioteca com 3 mil livros em chinês e em outros idiomas que têm como tema a China e sua relação com o Brasil. O objetivo é que a biblioteca do Instituto Confúcio venha a se tornar referência na área de estudos chineses, incorporando títulos que vierem a ser publicados no Brasil sobre o assunto.

Portugal inaugura livraria especializada em poesia

"Poesia incompleta" é uma nova livraria portuguesa dedicada exclusivamente à poesia, disponibilizando livros novos, raros e esgotados de centenas de poetas em mais de 20 línguas. Segundo notícia divulgada pelo PublishNews, o proprietário da nova livraria, Mário Guerra, que também se assume como empregado, leitor e "senhora da limpeza", explicou que a idéia de abrir um estabelecimento de venda exclusiva de poesia surgiu de uma "vontade de reunir no mesmo espaço a mais alta produção poética literária portuguesa e estrangeira".

Fonte: Boletim PNLL nº 132



Escrito por marciliomedeiros às 22h04
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MARCEL DUCHAMP

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Nu descendo uma Escada nº 2 (1912), de Marcel Duchamp



Escrito por marciliomedeiros às 15h13
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MÁRIO CESARINY

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YOU ARE WELCOME TO ELSINORE

 

                          Mário Cesariny

 

Entre nós e as palavras há metal fundente

entre nós e as palavras há hélices que andam

 

e podem dar-nos morte violar-nos tirar

do mais fundo de nós o mais útil segredo

entre nós e as palavras há perfis ardentes

espaços cheios de gente de costas

altas flores venenosas portas por abrir

e escadas e ponteiros e crianças sentadas

à espera do seu tempo e do seu precipício

 

Ao longo da muralha que habitamos

há palavras de vida há palavras de morte

há palavras imensas, que esperam por nós

 

e outras, frágeis, que deixaram de esperar

há palavras acesas como barcos

e há palavras homens, palavras que guardam

o seu segredo e a sua posição

 

Entre nós e as palavras, surdamente,

as mãos e as paredes de Elsenore

 

E há palavras noturnas palavras gemidos

palavras que nos sobem ilegíveis à boca

palavras diamantes palavras nunca escritas

palavras impossíveis de escrever

por não termos conosco cordas de violinos

nem todo o sangue do mundo nem todo o

amplexo do ar

e os braços dos amantes escrevem muito alto

muito além do azul onde oxidados morrem

palavras maternais só sombra só soluço

só espasmo só amor só solidão desfeita

 

Entre nós e as palavras, os emparedados

e entre nós e as palavras, o nosso dever falar



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 15h09
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ASSIS MARINHO

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Brincadeira, de Assis Marinho



Escrito por marciliomedeiros às 23h31
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CARLOS FUENTES

 

Carlos Fuentes (1928 - )


"México es mi herencia, pero no mi indiferencia; la cultura que nos da sentido y continuidad a los mexicanos es algo que yo he querido merecer todos los días, em tensión y no en reposo. Mi primer pasaporte -el de ciudadano de México- he debido ganarlo, no con el pesimismo del silencio, sino con el optimismo de la crítica. No he tenido más armas para hacerlo que las del escritor: la imaginación y el lenguaje. Son éstos los sellos de mi segundo pasaporte, el que me lleva a compartir este premio con los escritores que piensan y escriben en español.
La cultura literaria de mi país es incomprensible fuera del universo lingüístico que nos une a peruanos y venezolanos, argentinos y puertorriqueños, españoles y mexicanos. Puede discutirse el grado en el que un conjunto de tradiciones religiosas, morales y eróticas, o de situaciones políticas,
económicas y sociales, nos unen o nos separan; pero el terreno común de nuestros encuentros y desencuentros, la liga más fuerte de nuestra comunidad probable, es la lengua -el instrumento, dijo una vez William Butlerler Yeats, de nuestro debate con los demás-, que es retórica, pero también del debate con nosotros mismos, que es poesía."
Discurso de Carlos Fuentes na cerimônia de entrega do Premio "Miguel de Cervantes"



Escrito por marciliomedeiros às 23h20
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NEWTON NAVARRO

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Cortadores de Cana (1990), de Newton Navarro



Escrito por marciliomedeiros às 14h59
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MITO

 

                            Cesare Pavese

 

 Virá o dia em que o jovem deus será um homem,

sem sofrimento, com o morto sorriso do homem

que compreendeu. Também o sol se move longínquo

avermelhando as praias. Virá o dia em que o deus

já não saberá onde eram as praias de outrora.

 

Acorda-se uma manhã em que o Verão morreu,

e nos olhos tumultuam ainda esplendores

como ontem e no ouvido os fragores do sol

feito sangue. A cor do mundo mudou.

A montanha já não toca o céu; as nuvens

já não se amontoam como frutos; na água

já não transparece um seixo. O corpo dum homem

curva-se pensativo onde um deus respirava.

 

O grande sol acabou, e o cheiro da terra

e a rua livre, colorida de gente

que ignorava a morte. Não se morre de Verão.

Se alguém desaparecia, havia o jovem deus

que vivia por todos e ignorava a morte.

Nele a tristeza era uma sombra de nuvens.

O seu passo pasmava a terra.

 

                                        Agora pesa

o cansaço sobre todos os membros do homem,

sem sofrimento: o calmo cansaço da madrugada

que abre um dia de chuva. As praias sombreadas

não conhecem o jovem a quem outrora bastava

que as olhasse. Nem o mar do ar revive

na respiração. Cerram-se os lábios do homem

resignados, para sorrir frente à terra.

 

Tradução de Carlos Leite



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 14h49
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VICENTE VITORIANO

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Em sociedade II (1988), de Vicente Vitoriano



Escrito por marciliomedeiros às 15h22
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MARCEL DUCHAMP

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Young Girl and Man in Spring (1911), de Marcel Duchamp



Escrito por marciliomedeiros às 14h47
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MINA LOY

MÁRMORE

 

Grécia arremessou      sombras brancas

semeou

seus globos oculares com oblívio

 

Um rebanho de pedra

Deuses

empoleirados sobre pedestais

 

Uma população

de lírios de atletas

das galerias

 

escava como fachadas por espaço

com curvas espirais

da substância do ídolo

no silêncio

 

Uma colunata

Apolo caça Apolo

com a sombra

de uma mão perdida

 

Tradução: Virna Teixeira



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 14h45
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JOAN MIRÓ

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Nu com um Espelho (1919), de Joan Miró



Escrito por marciliomedeiros às 17h25
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VICENTE HUIDOBRO

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ARTE POÉTICA

 

Vicente Huidobro

 

     Que o verso seja como uma chave

Que abra mil portas.

Uma folha cai; algo passa voando;

Quanto mirem os olhos criado seja,

E a alma do que ouve fique tremendo.

 

     Inventa mundos novos e cuida de tua palavra;

O adjetivo, quando não dá vida, mata.

 

     Estamos no ciclo dos nervos.

O músculo pende,

Como lembrança, nos museus;

Mas nem por isso temos menos força:

O vigor verdadeiro

Reside na cabeça.

 

     Por que cantais a rosa, ó Poetas!

Fazei-a florescer no poema;

 

Apenas para nós

Vivem todas as coisas sob o Sol.

 

     O Poeta é um pequeno Deus.

 

Tradução de Marcilio Medeiros

 



Escrito por marciliomedeiros às 17h20
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