Vida Literária por Marcilio Medeiros


HENRY FUSELI

wikimedia

Titania, Bottom e Fadas (1793-4), de Henry Fuseli



Escrito por marciliomedeiros às 11h47
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




 
 

ALLEN GINSBERG

reprodução

 

 

UM SUPERMERCADO NA CALIFÓRNIA

 

                                         Allen Ginsberg

 

       Como estive pensando em você esta noite, Walt Whitman,

enquanto caminhava pelas ruas sob as árvores, com dor de

cabeça, autoconsciente, olhando a lua cheia.

       No meu cansaço faminto, fazendo o Shopping das imagens, entrei no supermercado das frutas de néon sonhando com tuas enumerações!

       Que pêssegos e que penumbras! Famílias inteiras fazendo

suas compras a noite! Corredores cheios de maridos!

Esposas entre os abacates, bebês nos tomates! - e você,

Garcia Lorca, o que fazia lá, no meio das melancias?

       Eu o vi Walt Whitman, sem filhos, velho vagabundo solitário, remexendo nas carnes do refrigerador e lançando olhares para os garotos da mercearia.

       Ouvi-o fazer perguntas a cada um deles; Quem matou as

costeletas de porco? Qual o preço das bananas? Será você meu

Anjo?

       Caminhei entre as brilhantes pilhas de latarias, seguindo-o

e sendo seguido na minha imaginação pelo detetive da loja.

Perambulamos juntos pelos amplos corredores com nosso

passo solitário, provando alcachofras, pegando cada um dos

petiscos gelados e nunca passando pelo caixa.

       Aonde vamos, Walt Whitman? As portas fecharão em uma

hora. Para quais caminhos aponta tua barba esta noite?

(Toco teu livro e sonho com nossa odisséia no supermercado e sinto-me absurdo)

       Caminharemos a noite toda por solitárias ruas? As árvores

somam sombras às sombras, luzes apagam-se nas casas,

ficaremos ambos sós.

       Vaguearemos sonhando com a América perdida do amor,

passando pelos automóveis azuis nas vias expressas, voltando

para nosso silencioso chalé?

       Ah, pai querido, barba grisalha, velho e solitário professor

de coragem, qual América era a sua quando Caronte parou

de impelir sua balsa e Você na margem nevoenta, olhando a barca desaparecer nas negras águas do Letes?

 

Tradução de Cláudio Willer 



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 11h45
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




HENRY FUSELI

 

wikimedia

 

Ariel, de Henry Fuseli

 



Escrito por marciliomedeiros às 12h22
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




 
 

MINA LOY

 

OH INFERNO

 

                  Mina Loy

 

Limpar as nevascas da primavera

Dos excrementos dos nossos ancestrais

E enterrar os arquivos inconscientes

Sob simples flores

 

Além disso-

 

Nossa pessoa é uma entrada coberta para infinidade

Sufocada com fiapos da tradição

 

Deusas e Jovens Deuses

Acariciam a santidade da Adolescência

Nos raios do sol.

 

Tradução de Virna Teixeira



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 12h19
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




WILLIAM BLAKE

  

wikimedia

E Deus Criou Adão (1795), de William Blake

 



Escrito por marciliomedeiros às 12h25
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




 
 

EDITH SITWELL

 reprodução

 

VERDE FLUI O RIO LETE...

 

                         Edith Sitwell

 

Verde flui o rio Lete - Oh

O longo rio Lete

Lá onde o fogo era nas veias - erva cresce

Sobre a febre -

Erva verde crescendo...

 

Perto eu estava das Cidades da Planície;

E as meninas perseguiam seus corações como as alegres borboletas

Pelos campos do Estio -

Oh veludo evanescente batendo as vossas asas

Como veludo e borboletas no Caminho de Nada a Parte Alguma!

 

Mas na sede estival

Fugi, porque eu era um Pilar de Fogo, eu era Destruição

Insaciável, encarnada e cor de carne.

 

Eu era Aniquilamento;

Alva, porém, como o mar Morto, alva como as Cidades da Planície.

Porque eu escutava o meio-dia e minhas veias

Que ameaçavam trovões, e o coração das rosas.

 

Segui o meu caminho -

Mas longa é a terrífica Rua do Sangue

Que parecera outrora apenas parte do vermelho Estio:

Desdobra-se para sempre e não há desvio,

Mas só fogo, aniquilamento, ardência.

 

Pensei que o caminho do Sangue nunca se cansava.

Mas agora só o trevo flamante

Pousa no bafejar do leão e na boca do amante -

 

E verde flui o rio Lete - Oh

O longo rio Lete

Sobre Gomorra e o fogo...

 

Tradução de Jorge de Sena



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 12h21
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




FÊNIX

 

 

Em novembro passado, Fênix gravou o DVD do show Ciranda do Mundo. Após dois CDs gravados, Eu, Causa e Efeito (2001) e Marfim (2004), esse é primeiro DVD do cantor e compositor pernambucano.

Vejam a página do rapaz no myspace.



Escrito por marciliomedeiros às 09h46
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




WILLIAM BLAKE

  

wikimedia

A Escada de Jacó (c. 1880), de William Blake

 



Escrito por marciliomedeiros às 08h24
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




 
 

WILLIAM BUTLER YEATS

wikimedia

 

VERSOS ESCRITOS EM DESALENTO

 

                    William Butler Yeats

 

Quando é que eu vi pela última vez

Os olhos verdes redondos e os corpos longos vacilantes

Dos leopardos escuros da lua?

Todas as bruxas selvagens, aquelas senhoras muito nobres,

Por todas as suas vassouras e as suas lágrimas,

Suas lágrimas de raiva, fugiram.

Os santos centauros das colinas desapareceram;

Não tenho nada para além do amargado sol;

Banida mãe lua heróica e desaparecida,

E agora que cheguei aos cinqüenta anos

Tenho que agüentar o tímido sol.

 

Tradução de Antonio de Campos



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 08h20
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




WILLIAM BLAKE

wikimedia

Arcanjo Rafael com Adão e Eva (1808), de William Blake



Escrito por marciliomedeiros às 13h44
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




 
 

WALLACE STEVENS

reprodução

 

A POESIA É UMA FORÇA DESTRUTIVA

 

                        Wallace Stevens

 

Isto é que é a miséria,

Nada Ter no coração.

É Ter ou nada.

 

É uma coisa Ter,

Um leão, um boi no seu peito,

Senti-la respirando ali.

 

Corazón, cachorro bravo,

Bezerro, urso de pernas tortas,

Ele prova seu sangue, não cospe.

 

É como um homem

No corpo de uma fera violenta.

São seus os músculos dela...

 

O leão dorme ao sol.

O nariz entre as patas.

Ela pode matar um homem.

 

Tradução de Ronaldo Brito



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 13h34
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




WILLIAM BLAKE

 wikimedia

O Grande Dragão Vermelho e a Mulher Vestida no Sol, de William Blake



Escrito por marciliomedeiros às 13h15
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




MARQUESA DE ALORNA

 

O PIRILAMPO E O SAPO

 

                Marquesa de Alorna

 

Lustroso um astro volante

Rompera as humildes relvas:

Com seu vôo rutilante

Alegrava à noite as selvas.

 

Mas de vizinho terreno

Saiu de uma cova um sapo,

E despediu-lhe um sopapo

Que o ensopou em veneno.

 

Ao morrer exclama o triste:

- Que tens tu de que me acuses?

Que crime em meu seio existe?

Respondeu-lhe: - Porque luzes?

 

Tradução: autor não citado



Escrito por marciliomedeiros às 13h10
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




Acordo Ortográfico

Acordo ortográfico

A partir do dia 1º de janeiro, passou a vigorar o novo acordo ortográfico da língua portuguesa. O acordo havia sido assinado em 1991, mas apenas em 2008 foi ratificado por todos os governos da comunidade lusófona.

O prazo será de quatro anos para que sejam incorporadas definitivamente as mudanças, com exceção de Portugal, que terá seis anos.

Veja as principais alterações ou o acordo na íntegra.



Escrito por marciliomedeiros às 11h12
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




EUCLIDES DA CUNHA

Euclides da Cunha (1866 - 1909)

"Ler Os Sertões e isso foi definitivo. O livro é tão rico, tão estimulante, que compensa o esforço que eu tive a princípio para entrar dentro da linguagem complicada de Euclides da Cunha. Para mim, Os Sertões é das melhores experiências que tive como leitor. Foi realmente o encontro com um livro muito importante, com uma experiência fundamental. Um deslumbramento, realmente, um dos grandes livros que já se escreveram na América Latina. E isso foi decisivo, isso me deu toda uma curiosidade e um interesse enorme pelo tema de Canudos e também pelo personagem de Euclides da Cunha. Assim nasceu a idéia do romance [...]  Utilizei, li com muito interesse os artigos que Euclides da Cunha havia escrito antes de ir a Canudos, os artigos que escrevia no jornal O Estado de S. Paulo, e depois as crônicas que ele escreveu quando estava na Guerra, e tudo isso era muito distinto do que ele escreveu mais tarde em Os Sertões. Essas contradições, essas mudanças de perspectiva, de opinião, para mim foram muito úteis. Há um personagem na novela que não existiria se não fosse por Euclides da Cunha, embora use muito Euclides da Cunha, que é o Jornalista Míope".

Mario Vargas Llosa fala sobre como usou a obra de Euclides da Cunha para escrever A Guerra do Fim do Mundo.

Livros de Euclides da Cunha na íntegra

Vídeos

Fonte: Boletim PNLL nº 137



Escrito por marciliomedeiros às 09h38
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




FRANCISCO BRENNAND

  

reprodução

Grande Floral (1967), de Francisco Brennand



Escrito por marciliomedeiros às 09h30
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




 
 

KONSTANTINOS KAVÁFIS

reprodução

 

DESEJOS

 

                 Konstantinos Kaváfis

Belos corpos de mortos que nunca envelheceram,

com lágrimas sepultos em mausoléus brilhantes,

jasmim nos pés, cabeça circundada de rosas -

assim são os desejos que um dia feneceram

sem chegar a cumprir-se, sem conhecerem antes

o prazo de uma noite ou a manhã luminosa.

 

Tradução de José Paulo Paes



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 09h25
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 



Meu perfil
BRASIL, Homem, Portuguese, English, Escritor

Histórico
    Categorias
      Todas as Categorias
      Interseções
      Vida Literária
      Fala, poesia!
    Outros sites
      Vida Literária por Marcilio Medeiros II
      Notícias de Cultura
      UOL - O melhor conteúdo
      Interpoética - um espaço alternativo para a poesia
      Garganta da Serpente
      Sabugi by JQ
      Djanira Silva
      Germina - Revista de Literatura
      Linaldo Guedes
      À Flor da Terra
      Correio das Artes
      Poema/Processo 1967
      Balario Porreta 1986
      Letras & Leituras
      Recalcitrante por Meg
      Carminda Pinho
      Ana Carla Vannucchi
      Nós Pós
      Conexão Maringá
      Felipe Fortuna
      Franklin Jorge
      Revista A Cigarra
      Agulha - Revista de Cultura
      Links & Sites
      eraOdito Marcelino Freire
      Frederico Barbosa
      Ovelha Pop Micheliny Verunschk
      Claudio Daniel Cantar a Pele de Lontra IV
      Amoralva Jorge Vicente
      Longitudes Nydia Bonetti
      Alexandre Melo
      Eunice Duarte
    Votação
      Dê uma nota para meu blog


    Digite seu e-mail:

    Delivered by FeedBurner

    Faça a inscrição no meu feed

    Add to Technorati Favorites


    Exibir minha página em Verso e Prosa