Vida Literária por Marcilio Medeiros


CANDIDO PORTINARI

   

http://www.portinari.org.br

Ronda Infantil (1932), de Candido Portinari

 



Escrito por marciliomedeiros às 14h18
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JOSÉ LEZAMA LIMA

reprodução

 

 

AH, QUE VOCÊ ESCAPE

 

                       José Lezama Lima

 

Ah, que você escape no instante

em que tenha alcançado sua melhor definição.

Ah, minha amiga, não queira acreditar

nas perguntas dessa estrela recém-cortada,

que vai molhando suas pontas em outra estrela inimiga.

Ah, se fosse certo que, à hora do banho,

quando, em uma mesma água discursiva,

se banham a imóvel paisagem e os animais mais finos:

antílopes, serpentes de passos breves, de passos evaporados,

parecem entre sonhos, sem ânsias levantar

os mais extensos cabelos e a água mais recordada.

Ah, minha amiga, se no puro mármore das despedidas

tivesses deixado a estátua que poderia nos acompanhar,

pois o vento, o vento gracioso,

se estende como um gato para deixar-se definir.

 

Tradução de Claudio Daniel

 



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 14h14
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CANDIDO PORTINARI

 

http://www.portinari.org.br

Café (1935), de Candido Portinari

 



Escrito por marciliomedeiros às 19h22
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KONSTANTINOS KAVÁFIS

 

À ESPERA DOS BÁRBAROS

 

                    Konstantinos Kaváfis

 

O que esperamos na ágora reunidos?

 

      É que os bárbaros chegam hoje.

 

Por que tanta apatia no senado?

Os senadores não legislam mais?

 

      É que os bárbaros chegam hoje.

      Que leis hão de fazer os senadores?

      Os bárbaros que chegam as farão.

 

Por que o imperador se ergueu tão cedo

e de coroa solene se assentou

em seu trono, à porta magna da cidade?

 

      É que os bárbaros chegam hoje.

      O nosso imperador conta saudar

      o chefe deles. Tem pronto para dar-lhe

      um pergaminho no qual estão escritos

      muitos nomes e títulos.

 

Por que hoje os dois cônsules e os pretores

usam togas de púrpura, bordadas,

e pulseiras com grandes ametistas

e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?

Por que hoje empunham bastões tão preciosos

de ouro e prata finamente cravejados?

 

      É que os bárbaros chegam hoje,

      tais coisas os deslumbram.

 

Por que não vêm os dignos oradores

derramar o seu verbo como sempre?

 

      É que os bárbaros chegam hoje

      e aborrecem arengas, eloqüências.

 

Por que subitamente esta inquietude?

(Que seriedade nas fisionomias!)

Por que tão rápido as ruas se esvaziam

e todos voltam para casa preocupados?

 

      Porque é já noite, os bárbaros não vêm

      e gente recém-chegada das fronteiras

      diz que não há mais bárbaros.

 

Sem bárbaros o que será de nós?

Ah! eles eram uma solução.

 

Tradução de José Paulo Paes



Categoria: Fala, poesia!
Escrito por marciliomedeiros às 19h19
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CECÍLIA MEIRELES

Cecília Meireles (1901 - 1964)
 
Retrato
 
"Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
 
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
 
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?"

  • Cronologia e biografia comentada

  • Obras de Cecília Meireles

    Multimídia

    Extraído de: Boletim PNLL 138



    Escrito por marciliomedeiros às 19h05
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    PRÊMIO LITERÁRIO

     

    Prêmio Governo de Minas Gerais de Literatura
    Inscrições: até 30 de janeiro
    Aberto a: Escritores com idade a partir de 18 anos.
    Premiação: Serão distribuídos R$ 212 mil para as quatro categorias do prêmio.
    Mais informações 

     



    Escrito por marciliomedeiros às 13h01
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    FEIRAS LITERÁRIAS

     

    Agenda Nacional

     

    Bienal Internacional do Livro da Bahia (BA)
    17 a 26 de abril
    Mais informações
     
    Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas (MG)
    17 a 26 de abril
    Mais informações 

     

    Agenda Internacional

     

    Salão do Livro de Paris (França)
    13 a 18 de março
    Mais informações

    Feira do Livro de Crianças de Bologna (Itália)
    23 a 26 de março
    Mais informações
     
    Feira do Livro de Londres (Inglaterra)
    20 a 22 de abril
    Mais informações
     
    Feira do Livro de Buenos Aires (Argentina)
    23 de abril a 11 de maio
    Mais informações

     



    Escrito por marciliomedeiros às 12h31
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    CANDIDO PORTINARI

      

    http://www.portinari.org.br

    Os Despejados (1934), de Candido Portinari



    Escrito por marciliomedeiros às 12h24
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    SERRA DO TEIXEIRA

    Viajando pelo sertão, conheci a Serra do Teixeira, na Paraíba.

    As fotos foram feitas a partir do mirante localizado na Pedra do Tendó.

     

    A estrada serpenteia entre a Serra do Teixeira

     

    Barragem da Farinha, Patos/PB, ao fundo

     

    Vegetação xerófila, em primeiro plano

     

    Cidade de Patos/PB, ao fundo, numa região rodeada de serras

     

    Fotos: Marcilio Medeiros



    Escrito por marciliomedeiros às 15h14
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    CANDIDO PORTINARI

     http://www.portinari.org.br

    Meninos com Balões (1936), de Candido Portinari



    Escrito por marciliomedeiros às 14h10
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    ARTHUR RIMBAUD

     

    O ADORMECIDO DO VALE

     

                        Arthur Rimbaud

     

    Era um recanto onde um regato canta

    Doidamente a enredar nas ervas seus pendões

    De prata; e onde o sol, no monte que suplanta,

    Brilha: um pequeno vale a espumejar clarões.

     

    Jovem soldado, boca aberta, fronte ao vento,

    E a refrescar a nuca entre os agriões azuis,

    Dorme; estendido sobre as relvas, ao relento,

    Branco em seu leito verde onde chovia luz.

     

    Os pés nos juncos, dorme. E sorri no abandono

    De uma criança que risse, enferma, no seu sonho:

    Tem frio, ó Natureza - aquece-o no teu leito.

     

    Os perfumes não mais lhe fremem as narinas,

    Dorme ao sol, suas mãos a repousar suspiras

    Sobre o corpo. E tem dois furos rubros no peito.

     

    Tradução de Ivo Barroso



    Categoria: Interseções
    Escrito por marciliomedeiros às 14h06
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    HENRY FUSELI

       

    wikimedia

    Macbeth, Banquo e as Bruxas (1793-4), de Henry Fuseli

     



    Escrito por marciliomedeiros às 13h51
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    HENRY FUSELI

     

    wikimedia

    O Silêncio (1799-1801), de Henry Fuseli 

     



    Escrito por marciliomedeiros às 13h29
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    SYLVIA PLATH

     

    ESPELHO

     

                         Sylvia Plath

     

    Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.

    Tudo o que vejo engulo no mesmo momento

    Do jeito que é, sem manchas de amor ou desprezo.

    Não sou cruel, apenas verdadeiro -

    O olho de um pequeno deus, com quatro cantos.

    O tempo todo medito do outro lado da parede.

    Cor-de-rosa, malhada. Há tanto tempo olho para ele

    Que acho que faz parte do meu coração. Mas ele falha.

    Escuridão e faces nos separam mais e mais.

     

            

    Sou um lago, agora. Uma mulher se debruça sobre mim,

    Buscando em minhas margens sua imagem verdadeira.

    Então olha aquelas mentirosas, as velas ou a lua.

    Vejo suas costas, e a reflito fielmente.

    Me retribui com lágrimas e acenos.

    Sou importante para ela. Ela vai e vem.

    A cada manhã seu rosto repõe a escuridão.

    Ela afogou uma menina em mim, e em mim uma velha

    Emerge em sua direção, dia a dia, como um peixe terrível.

     

    Tradução de Rodrigo Garcia Lopes e Maurício A. Mendonça



    Categoria: Interseções
    Escrito por marciliomedeiros às 13h27
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    HENRY FUSELI

      

    wikimedia

    O pesadelo (1781), de Henry Fuseli

     



    Escrito por marciliomedeiros às 15h31
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    LORINE NIEDECKER

    reprodução

    OFÍCIO DE POETA

     

                      Lorine Niedecker

     

    Meu avô

    aconselhava:

    Aprenda uma prenda

     

    Aprendi

    a sentar à mesa

    e condensar

     

    Suspensão

    qualquer dessa

    condensação

     

    Tradução de Ruy Vasconcelos

     

      

    Visitem Afetivagem, blogue do Ruy



    Escrito por marciliomedeiros às 15h27
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