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PAUL CÉZANNE
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Os Jogadores de Carta, de Paul Cézanne
Escrito por marciliomedeiros às 14h22
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OCTÁVIO PAZ
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CONVERSAR
Octávio Paz
Em um poema leio:
Conversar é divino.
Mas os deuses não falam:
fazem, desfazem mundos
enquanto os homens falam.
Os deuses, sem palavras,
jogam jogos terríveis.
O espírito baixa
e desata as línguas
mas não diz palavra:
diz luz. A linguagem
pelo deus acesa,
é uma profecia
de chamas e um desplume
de sílabas queimadas:
cinza sem sentido.
A palavra do homem
é filha da morte.
Falamos porque somos
mortais: as palavras
não são signos, são anos.
Ao dizer o que dizem
os nomes que dizemos
dizem tempo: nos dizem,
somos nomes do tempo.
Conversar é humano.
Tradução de Antônio Moura
Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 14h20
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PAUL CÉZANNE
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Banhistas (1890-1894), de Paul Cézanne
Escrito por marciliomedeiros às 15h29
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FRANCISCO BRINES
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COM QUEM FAREI AMOR?
Francisco Brines
A Juan Luis Panero
Neste copo de genebra bebo
os cercados minutos da noite,
a aridez da música e o ácido
desejo da carne. Só existe,
onde o gelo se ausenta, cristalino
licor e medo à solidão.
Esta noite não haverá a mercenária
companhia, nem gestos de aparente
calor num excesso de desejo. Longe
está hoje minha casa, a ela chegarei
na deserta luz da madrugada,
despirei meu corpo, e nas sombras
hei-de jazer com o tempo estéril.
Tradução de José Bento
Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 15h27
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PAUL CÉZANNE
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Tarde em Nápoles (1876-1877), de Paul Cézanne
Escrito por marciliomedeiros às 15h16
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DAVID MESTRE
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OBRA CEGA
David Mestre
Nada sei
e o que presumo
emudeceu
de perfeição
*
Obscura pauta
entre as mandíbulas
oro
sentindo a estepe
na planta
dos pés
*
Escrito a cal
este reboco
Obra Cega
de merda
seca & sal
Boa Noite
Anjo Azul
olhar
com menino
por trás Só
a dor imita
o cursivo oculto
da adaga
tinta
de sonhos
*
Em diferido
noutra álgebra
uma sombra
alojou o coração
anfíbia filigrana
d'água rosada
ânfora ausente
luz de jade
suspeita se
*
Esquivas minhas
sandálias pardas
cavo com elas
pegadas de prata
Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 15h13
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PAUL CÉZANNE
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O Rapto (1867), de Paul Cézanne
Escrito por marciliomedeiros às 16h12
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ANNE SEXTON
TIPO ESSA
Anne Sexton
Saí, bruxa possuída,
assombrando o ar, corajosa na noite preta,
me achando má, lição aprendida,
de janela acesa em janela acesa.
Coisa só, dos doze dedos, avessa.
Mulher assim não é mulher, não que se preza.
Descobri as cavernas quentes da floresta,
enchi de prateleiras, desenhos, relevos,
armários, sedas, inumeráveis coisas;
fiz a janta pros vermes e pros elfos:
arranjando o desarrumado, chorosa.
Mulher assim é incompreendida.
Eu fui tipo essa.
Andei no seu carro, moço,
Passei pelas cidades com os braços de fora, abanando pra elas.
Aprendendo os caminhos menos espertos, colosso,
as chamas ainda me mordendo as coxas,
as costelas partindo quando giram a manivela.
Mulher assim não tem vergonha de finar-se.
Eu fui tipo essa.
Tradução de Lavínia
Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 15h33
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CANDIDO PORTINARI
http://www.portinari.org.br

Futebol (1935), de Candido Portinari
Escrito por marciliomedeiros às 14h32
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ARTHUR RIMBAUD
LONGE DE PÁSSAROS, DE REBANHOS E ALDEÃS...
Arthur Rimbaud
Longe de pássaros, de rebanhos e aldeãs,
Numa clareira, o que estaria eu a beber de
Joelhos, tendo em volta uns bosques de avelãs,
Na cerração de um meio-dia úmido e verde?
O que haveria eu de beber nesse Oise infante,
- Olmos sem voz, relva sem flores, céu sem mira! -
Beber em cuias amarelas, bem distante
Da tenda? Algum licor dourado que transpira.
A torpe insígnia de um albergue eu parecia.
- Um temporal varreu o céu. No anoitecer
Na areia branca a água dos bosques se perdia,
No charco o vento de Deus flocos fez descer;
Chorando, eu via o ouro - e sem poder beber.
Tradução de Ivo Barroso
Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 14h29
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PRÊMIO LITERÁRIO
Prêmio Portugal Telecom
Inscrições: até 28 de fevereiro Aberto a: autores com livros escritos originalmente em língua portuguesa e que tenha primeira edição entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2008. No caso de livros editados em outros países, a primeira edição no exterior deve ter ocorrido entre 1º de janeiro de 2005 e 31 de dezembro de 2008. Premiação: R$ 100 mil, R$ 35 mil e R$15 mil, respectivamente, para o primeiro, segundo e terceiros colocados. Mais informações
Escrito por marciliomedeiros às 21h30
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EDGAR ALAN POE, 200 ANOS
Edgar Alan Poe, 200 anos
A data de hoje, 19 de janeiro, marca os 200 anos de nascimento de Edgar Allan Poe. As cinco cidades norte-americanas onde o poeta e contista viveu - Boston, Richmond, Baltimore, Filadélfia e Nova York - têm programadas exposições, leituras de suas obras e mesas-redondas. Ele seduziu gênios como Henry James, Kafka, Thomas Mann, Julio Verne, Baudelaire, Fernando Pessoa e Machado de Assis. Os dois últimos, inclusive, verteram para o português o poema O Corvo, obra de grande virtuosismo técnico. Como lembra matéria do jornal O Estado de S. Paulo, Borges certa vez já declarara que "a literatura atual seria inconcebível sem Whitman e sem Poe". Na música, foi inspiração para vários compositores clássicos, de Debussy a Philip Glass, e populares, caso de Bob Dylan, Lou Reed e a banda Iron Maiden, entre muitos outros. No cinema, as adaptações foram feitas por diversos diretores, como Buñuel, Fellini, Roger Corman e Louis Mille. No momento, Sylvester Stallone prepara uma cinebiografia de Poe. Confira uma seleção de sites relacionados a Poe.
Edgar Allan Poe (1809 - 1849)
"É verdade! Tenho sido e sou nervoso, muito nervoso, terrivelmente nervoso! Mas, por que ireis dizer que sou louco? A enfermidade me aguçou os sentidos, não os destruiu, não os entorpeceu. Era penetrante, acima de tudo, o sentido da audição. Eu ouvia todas as coisas, no céu e na terra. Muitas coisas do inferno ouvia. Como, então, sou louco? Prestai atenção! E observai quão lucidamente, quão calmamente vos posso contar toda a estória." Início do conto O Coração Denunciador (The Tell - Tale Heart), de 1843
Obras
Multimídia
Extraído de: Boletim PNLL nº 139
Escrito por marciliomedeiros às 21h27
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CANDIDO PORTINARI
http://www.portinari.org.br

Lavrador de Café (1934), de Candido Portinari
Escrito por marciliomedeiros às 20h50
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GEORG TRAKL
reprodução

CALMA E SILÊNCIO
Georg Trakl
Pastores enterraram o sol na floresta nua.
Um pescador puxou a lua
Do lago gelado em áspera rede.
No cristal azul
Mora o pálido Homem, o rosto apoiado nas suas estrelas;
Ou curva a cabeça em sono purpúreo.
Mas sempre comove o vôo negro dos pássaros
Ao observador, santidade de flores azuis.
O silêncio próximo pensa no esquecido, anjos apagados.
De novo a fronte anoitece em pedra lunar;
Um rapaz irradiante
Surge a irmã em outono e negra decomposição.
Tradução de Cláudia Cavalcante
Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 20h44
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