Vida Literária por Marcilio Medeiros


PAUL CÉZANNE

  

wikimedia

Os Jogadores de Carta, de Paul Cézanne

 



Escrito por marciliomedeiros às 14h22
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




 
 

OCTÁVIO PAZ

 

reprodução

CONVERSAR

 

             Octávio Paz

 

Em um poema leio:

Conversar é divino.

Mas os deuses não falam:

fazem, desfazem mundos

enquanto os homens falam.

Os deuses, sem palavras,

jogam jogos terríveis.

 

O espírito baixa

e desata as línguas

mas não diz palavra:

diz luz. A linguagem

pelo deus acesa,

é uma profecia

de chamas e um desplume

de sílabas queimadas:

cinza sem sentido.

 

A palavra do homem

é filha da morte.

Falamos porque somos

mortais: as palavras

não são signos, são anos.

Ao dizer o que dizem

os nomes que dizemos

dizem tempo: nos dizem,

somos nomes do tempo.

Conversar é humano.

 

Tradução de Antônio Moura



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 14h20
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




PAUL CÉZANNE

  

wikimedia

Banhistas (1890-1894), de Paul Cézanne

 



Escrito por marciliomedeiros às 15h29
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




 
 

FRANCISCO BRINES

 

reprodução

 

 

COM QUEM FAREI AMOR?

 

                    Francisco Brines

 

A Juan Luis Panero

 

Neste copo de genebra bebo

os cercados minutos da noite,

a aridez da música e o ácido

desejo da carne. Só existe,

onde o gelo se ausenta, cristalino

licor e medo à solidão.

Esta noite não haverá a mercenária

companhia, nem gestos de aparente

calor num excesso de desejo. Longe

está hoje minha casa, a ela chegarei

na deserta luz da madrugada,

despirei meu corpo, e nas sombras

hei-de jazer com o tempo estéril.

 

Tradução de José Bento

 



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 15h27
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




PAUL CÉZANNE

  

wikimedia

Tarde em Nápoles (1876-1877), de Paul Cézanne

 



Escrito por marciliomedeiros às 15h16
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




 
 

DAVID MESTRE

reprodução

 

OBRA CEGA

 

              David Mestre

 

Nada sei

e o que presumo

emudeceu

de perfeição

 

*

 

Obscura pauta

entre as mandíbulas

oro

 

sentindo a estepe

na planta

dos pés

 

*

 

Escrito a cal

este reboco

Obra Cega

de merda

seca & sal

 

Boa Noite

Anjo Azul

olhar

com menino

por trás Só

 

a dor imita

o cursivo oculto

da adaga

tinta

de sonhos

 

*

 

Em diferido

noutra álgebra

uma sombra

alojou o coração

 

anfíbia filigrana

d'água rosada

ânfora ausente

luz de jade

 

suspeita se

 

*

 

Esquivas minhas

sandálias pardas

cavo com elas

pegadas de prata

 



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 15h13
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




PAUL CÉZANNE

  

wikimedia

O Rapto (1867), de Paul Cézanne

 



Escrito por marciliomedeiros às 16h12
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




 
 

ANNE SEXTON

 

TIPO ESSA

 

                Anne Sexton

 

Saí, bruxa possuída,

assombrando o ar, corajosa na noite preta,

me achando má, lição aprendida,

de janela acesa em janela acesa.

Coisa só, dos doze dedos, avessa.

Mulher assim não é mulher, não que se preza.

 

Descobri as cavernas quentes da floresta,

enchi de prateleiras, desenhos, relevos,

armários, sedas, inumeráveis coisas;

fiz a janta pros vermes e pros elfos:

arranjando o desarrumado, chorosa.

Mulher assim é incompreendida.

Eu fui tipo essa.

 

Andei no seu carro, moço,

Passei pelas cidades com os braços de fora, abanando pra elas.

Aprendendo os caminhos menos espertos, colosso,

as chamas ainda me mordendo as coxas,

as costelas partindo quando giram a manivela.

Mulher assim não tem vergonha de finar-se.

Eu fui tipo essa.

 

Tradução de Lavínia

 



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 15h33
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




CANDIDO PORTINARI

  

http://www.portinari.org.br

Futebol (1935), de Candido Portinari

 



Escrito por marciliomedeiros às 14h32
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




 
 

ARTHUR RIMBAUD

 

LONGE DE PÁSSAROS, DE REBANHOS E ALDEÃS...

 

                    Arthur Rimbaud

 

Longe de pássaros, de rebanhos e aldeãs,

Numa clareira, o que estaria eu a beber de

Joelhos, tendo em volta uns bosques de avelãs,

Na cerração de um meio-dia úmido e verde?

 

O que haveria eu de beber nesse Oise infante,

- Olmos sem voz, relva sem flores, céu sem mira! -

Beber em cuias amarelas, bem distante

Da tenda? Algum licor dourado que transpira.

 

A torpe insígnia de um albergue eu parecia.

- Um temporal varreu o céu. No anoitecer

Na areia branca a água dos bosques se perdia,

No charco o vento de Deus flocos fez descer;

 

Chorando, eu via o ouro - e sem poder beber.

 

Tradução de Ivo Barroso



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 14h29
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




PRÊMIO LITERÁRIO

Prêmio Portugal Telecom


Inscrições: até 28 de fevereiro
Aberto a: autores com livros escritos originalmente em língua portuguesa e que tenha primeira edição entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2008. No caso de livros editados em outros países, a primeira edição no exterior deve ter ocorrido entre 1º de janeiro de 2005 e 31 de dezembro de 2008.
Premiação: R$ 100 mil, R$ 35 mil e R$15 mil, respectivamente, para o primeiro, segundo e terceiros colocados.
Mais informações



Escrito por marciliomedeiros às 21h30
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




EDGAR ALAN POE, 200 ANOS

Edgar Alan Poe, 200 anos

A data de hoje, 19 de janeiro, marca os 200 anos de nascimento de Edgar Allan Poe. As cinco cidades norte-americanas onde o poeta e contista viveu - Boston, Richmond, Baltimore, Filadélfia e Nova York - têm programadas exposições, leituras de suas obras e mesas-redondas. Ele seduziu gênios como Henry James, Kafka, Thomas Mann, Julio Verne, Baudelaire, Fernando Pessoa e Machado de Assis. Os dois últimos, inclusive, verteram para o português o poema O Corvo, obra de grande virtuosismo técnico. Como lembra matéria do jornal O Estado de S. Paulo, Borges certa vez já declarara que "a literatura atual seria inconcebível sem Whitman e sem Poe". Na música, foi inspiração para vários compositores clássicos, de Debussy a Philip Glass, e populares, caso de Bob Dylan, Lou Reed e a banda Iron Maiden, entre muitos outros. No cinema, as adaptações foram feitas por diversos diretores, como Buñuel, Fellini, Roger Corman e Louis Mille. No momento, Sylvester Stallone prepara uma cinebiografia de Poe. Confira uma seleção de sites relacionados a Poe.

Edgar Allan Poe (1809 - 1849)


"É verdade! Tenho sido e sou nervoso, muito nervoso, terrivelmente nervoso! Mas, por que ireis dizer que sou louco? A enfermidade me aguçou os sentidos, não os destruiu, não os entorpeceu. Era penetrante, acima de tudo, o sentido da audição. Eu ouvia todas as coisas, no céu e na terra. Muitas coisas do inferno ouvia. Como, então, sou louco? Prestai atenção! E observai quão lucidamente, quão calmamente vos posso contar toda a estória."
Início do conto O Coração Denunciador (The Tell - Tale Heart), de 1843

Obras

Multimídia

Extraído de: Boletim PNLL nº 139



Escrito por marciliomedeiros às 21h27
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




CANDIDO PORTINARI

 

http://www.portinari.org.br

Lavrador de Café (1934), de Candido Portinari



Escrito por marciliomedeiros às 20h50
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]




 
 

GEORG TRAKL

reprodução

 

CALMA E SILÊNCIO

 

                        Georg Trakl

 

Pastores enterraram o sol na floresta nua.

Um pescador puxou a lua

Do lago gelado em áspera rede.

 

No cristal azul

Mora o pálido Homem, o rosto apoiado nas suas estrelas;

Ou curva a cabeça em sono purpúreo.

 

Mas sempre comove o vôo negro dos pássaros

Ao observador, santidade de flores azuis.

O silêncio próximo pensa no esquecido, anjos apagados.

 

De novo a fronte anoitece em pedra lunar;

Um rapaz irradiante

Surge a irmã em outono e negra decomposição.

 

Tradução de Cláudia Cavalcante



Categoria: Interseções
Escrito por marciliomedeiros às 20h44
[   ] [ envie esta mensagem ] [ ] [ ]


[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]


 



Meu perfil
BRASIL, Homem, Portuguese, English, Escritor

Histórico
    Categorias
      Todas as Categorias
      Interseções
      Vida Literária
      Fala, poesia!
    Outros sites
      Vida Literária por Marcilio Medeiros II
      Notícias de Cultura
      UOL - O melhor conteúdo
      Interpoética - um espaço alternativo para a poesia
      Garganta da Serpente
      Sabugi by JQ
      Djanira Silva
      Germina - Revista de Literatura
      Linaldo Guedes
      À Flor da Terra
      Correio das Artes
      Poema/Processo 1967
      Balario Porreta 1986
      Letras & Leituras
      Recalcitrante por Meg
      Carminda Pinho
      Ana Carla Vannucchi
      Nós Pós
      Conexão Maringá
      Felipe Fortuna
      Franklin Jorge
      Revista A Cigarra
      Agulha - Revista de Cultura
      Links & Sites
      eraOdito Marcelino Freire
      Frederico Barbosa
      Ovelha Pop Micheliny Verunschk
      Claudio Daniel Cantar a Pele de Lontra IV
      Amoralva Jorge Vicente
      Longitudes Nydia Bonetti
      Alexandre Melo
      Eunice Duarte
    Votação
      Dê uma nota para meu blog


    Digite seu e-mail:

    Delivered by FeedBurner

    Faça a inscrição no meu feed

    Add to Technorati Favorites


    Exibir minha página em Verso e Prosa